Quem adultera empobrece porque Deus o empobrece. A frase parece resumir Provérbios 5:9–11 e 6:26–35 — e não está em nenhum dos dois textos.O que os dois textos constroem, lidos no hebraico e na sua ordem, é uma escala: uma sequência de perdas encadeada por graus — o vigor, os anos, a força, o produto do trabalho, o corpo; o pão, a vida, o opróbrio que não se apaga, o marido que não aceita resgate —, em que cada degrau é tirado do anterior e o último já não é um bem, mas a própria vida.A Escala das Perdas sustenta uma única afirmação a respeito dela: a escala descreve uma ordem imanente à ação, e não uma sanção aplicada de fora. O livro nomeia o pressuposto que combate — o princípio da sanção extrínseca —, prova que a escala é um desenho do autor de Provérbios 1–9, lê os oito termos de 5:9–10 como uma gramática em que o filho dá, os outros tomam e o filho geme, mede a dificuldade filológica de 6:26 sem a dissolver, mostra que o marido de 6:34 recusa o resgate por ciúme e não por lei — «ele não aceitará», e não «não aceitareis» —, e formula a teoria sapiencial da perda: seis propriedades que se implicam, com o irreparável por termo e a vida como suporte de todos os bens. A face positiva da escala está em 5:15–20, onde o mesmo verbo — šāgâ, cambalear de embriaguez — é usado para a esposa, para a estranha e para o extravio final: a diferença entre a cisterna e as praças não está na água.A tese é posta à prova pelos textos que deveriam refutá-la — Jó, o Salmo 73 e Qohélet — e sai deles confirmada: o que os três atacam é o juiz que distribui segundo o mérito; o que conservam é a ordem dos bens, enunciada pelo próprio adversário em Jó 2:4 — «pele por pele; tudo o que o homem tem dará pela sua vida». Agostinho, Tomás de Aquino e Ratzinger dão à estrutura o seu nome teológico: a pena que o espírito desordenado é para si mesmo, num mundo em que Deus «ordenou, e assim é».Dez capítulos em texto contínuo, sem subdivisões; vinte gravuras analíticas e vinte tabelas; mais de duzentas fontes verificadas — de Koch, Janowski e Fox ao direito do Antigo Oriente Próximo e a Deus Caritas Est. Um estudo de cátedra para quem lê Provérbios no hebraico, para quem ensina a literatura sapiencial e para quem procura uma teologia da consequência que não seja uma teologia do castigo.
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Taschenbuch. Zustand: Neu. Neuware - Quem adultera empobrece porque Deus o empobrece. A frase parece resumir Provérbios 5:9-11 e 6:26-35 - e não está em nenhum dos dois textos.O que os dois textos constroem, lidos no hebraico e na sua ordem, é uma escala: uma sequência de perdas encadeada por graus - o vigor, os anos, a força, o produto do trabalho, o corpo; o pão, a vida, o opróbrio que não se apaga, o marido que não aceita resgate -, em que cada degrau é tirado do anterior e o último já não é um bem, mas a própria vida.A Escala das Perdas sustenta uma única afirmação a respeito dela: a escala descreve uma ordem imanente à ação, e não uma sanção aplicada de fora. O livro nomeia o pressuposto que combate - o princípio da sanção extrínseca -, prova que a escala é um desenho do autor de Provérbios 1-9, lê os oito termos de 5:9-10 como uma gramática em que o filho dá, os outros tomam e o filho geme, mede a dificuldade filológica de 6:26 sem a dissolver, mostra que o marido de 6:34 recusa o resgate por ciúme e não por lei - ele não aceitará, e não não aceitareis -, e formula a teoria sapiencial da perda: seis propriedades que se implicam, com o irreparável por termo e a vida como suporte de todos os bens. A face positiva da escala está em 5:15-20, onde o mesmo verbo - sagâ, cambalear de embriaguez - é usado para a esposa, para a estranha e para o extravio final: a diferença entre a cisterna e as praças não está na água.A tese é posta à prova pelos textos que deveriam refutá-la - Jó, o Salmo 73 e Qohélet - e sai deles confirmada: o que os três atacam é o juiz que distribui segundo o mérito; o que conservam é a ordem dos bens, enunciada pelo próprio adversário em Jó 2:4 - pele por pele; tudo o que o homem tem dará pela sua vida. Agostinho, Tomás de Aquino e Ratzinger dão à estrutura o seu nome teológico: a pena que o espírito desordenado é para si mesmo, num mundo em que Deus ordenou, e assim é.Dez capítulos em texto contínuo, sem subdivisões; vinte gravuras analíticas e vinte tabelas; mais de duzentas fontes verificadas - de Koch, Janowski e Fox ao direito do Antigo Oriente Próximo e a Deus Caritas Est. Um estudo de cátedra para quem lê Provérbios no hebraico, para quem ensina a literatura sapiencial e para quem procura uma teologia da consequência que não seja uma teologia do castigo. Bestandsnummer des Verkäufers 9798172299414
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